Maria Eduarda Souza Silva – Segue a Dica

Daiane Obolari

Para abrir o “Segue a dica” deste ano, a caloura do curso de Publicidade e Propaganda da FAESA Centro Universitário e estagiário do Lacos Maria Eduarda Souza Silva, 21 anos, traz suas indicações. Maria Eduarda precisou percorrer um grande caminho até se encontrar na publicidade. Universitária, primeiramente, em Ciência da Computação, curso que sempre acreditou querer, ela se sentia extremamente presa e engessada por não poder usufruir de todo o potencial criativo. Maria Eduarda relata que adora criar e é bem curiosa, atributos que não podia explorar no outro curso.

No fundo, eu não sentia alegria em nada que eu estava estudando e não via um futuro brilhante para mim na área. Amo tecnologia, mas não ao ponto de fazer um curso voltado inteiramente para isso

Maria Eduarda Souza Silva
Maria Eduarda Souza Silva é aluna de Publicidade e Propaganda da FAESA (Foto: Arquivo Pessoal)

Maria Eduarda conta que sabe que suas ações podem ter impactos significativos no mundo: “Uma boa ideia pode revolucionar o mundo”, diz. O interesse na área veio a partir das possibilidades oferecidas no universo da publicidade e também por meio da indicação de uma série por uma amiga. A futura publicitária conta, ainda, que precisou de muito conhecimento pessoal, pesquisas e desconstruções em relação ao curso para tomar a decisão de mudar.

Depois que eu comecei a assistir, o interesse na área aumentou. E, no final da série, eu já estava quase me achando a própria publicitária

Maria Eduarda Souza Silva

Experiência no primeiro período

Ela diz estar amando o primeiro período e que tem sido muito melhor do que esperava, dado que as expectativas eram bem altas. Apesar de o momento não permitir aulas presencias por conta da pandemia, Maria Eduarda se sente acolhida pela FAESA e informa que consegue reconhecer a importância de cada uma das matérias que está cursando e já imagina como irá utilizá-las futuramente.

Série

(Foto: Divulgação/Black-ish Wiki Fandom)

A indicação não poderia ser outra a não ser a série que a ajudou a ingressar na publicidade. Ela conta que Black-ish é no estilo ‘sitcom’ inusitada. Os personagens são muito bem construídos e a narrativa é extremamente relevante e possui piadas inteligentes.

A série retrata uma família de classe média alta afro-americana em que a provedora da casa é a mãe da família. Com o pai, Dre Johnson, que é publicitário, eles possuem quatro filhos com personalidades bem distintas. Ela discute assuntos como a visão do negro na sociedade, racismo, homofobia, religião, política, expectativas e problemas familiares. Uma gama de assuntos com várias referências ao passado e também bem atuais.

Maria Eduarda conta o que mais a chama atenção na série: “O Dre trabalha em uma agência publicitária e a forma como ele usa a formação acadêmica e a posição dele na agência para tentar mudar muitos estereótipos enraizados na sociedade é louvável. Ele não pensa em apenas vender o produto, mas em passar uma mensagem bem maior. A cada episódio que eu assisto, sinto muito orgulho de quem eu sou e dos meus ancestrais”, diz.

Filme

(Foto: Divulgação/UOL)

A indicação de Maria Eduarda para o filme favorito é Coraline e o Mundo Secreto, do diretor Henry Selick, lançado em 2009 e que ficou conhecido por ser gravado em Stop Motion. A universitária diz que o filme teve muita importância na infância e que os ensinamentos adquiridos caminham com ela até hoje.

Sinopse: Enquanto explora a nova casa à noite, a pequena Coraline descobre uma porta secreta que contém um mundo parecido com o dela, porém melhor em muitas maneiras. Todos têm botões no lugar dos olhos, os pais são carinhosos e os sonhos de Coraline vira realidade por lá. Ela se encanta com essa descoberta, mas logo percebe que segredos estranhos estão em ação: uma outra mãe e o resto da família tentam mantê-la eternamente nesse mundo paralelo.

Livro

(Foto: Divulgação/Intrínseca)

Dando origem ao filme acima citado, ela escolhe o livro Coraline, do autor Neil Gaiman, publicado em 2002, que também teve grande relevância em seu crescimento e proporcionou uma grande experiência. O livro traz fatos mais detalhados e aprofundados que somente um livro dispõe. Uma leitura rápida e transformadora.

Música

Explicando adorar música, Maria diz que não consegue recomendar apenas uma. Portanto, ela deixou abaixo algumas indicações de álbuns que são importantes para ela e o motivo porque os escolheu:

(Foto: Divulgação/Amazon)

I Put A Spell On You (1965) – Nina Simone
“É um álbum que reflete muito bem a vida da Nina Simone, mesmo em um período em que não poderia nem sonhar em fazer certas críticas como em relação à pressão para se casar (que infelizmente se perpetua até atualmente). Ela corajosamente fez na música “Marriage Is For Old Folks” uma das suas frases mais marcantes e que se encontra em dois versos de ‘You’ve Got to Learn’, que seria: ‘Você tem de aprender a sair da mesa quando o amor já não está sendo servido'”.

(Foto: Divulgação/Amazon)

The Miseducation of Lauryn Hill (1998) – Lauryn Hill
“Uma verdadeira obra de arte do Hip-Hop. É o primeiro e único álbum de estúdio de Lauryn Hill e foi vencedor do Grammy de 1999 na categoria ‘Álbum do Ano’. Para mim, esse álbum tem um nível de importância social no mundo. Ele dá voz às mazelas, mostra o lado da cantora em relação a amores conturbados e possui a linda homenagem ao seu filho mais velho Zion na música de mesmo título. A cantora na época foi extremamente julgada por escolher a família antes da carreira. Mesmo sendo um álbum com 23 anos é super atual quanto aos questionamentos abordados”.

(Foto: Divulgação/Letras)

Setevidas (2014) – Pitty
“Esse álbum aborda de forma muito sentimental assuntos tidos como polêmicos, mas extremamente necessários. Não encontro uma música ruim. “Lado de Lá” e “Olho Calmo” traz uma carga muito sentimental. A primeira música trata explicitamente sobre a morte (me lembra o Auto da Barca do Inferno, devido à menção de um barco) e a segunda traz um sentimento muito particular para mim. Em tempos tão acelerados, é necessário mais do que nunca ter calma de fato, saber quando falar e quando se calar. Já a música “A Massa” fala sobre a massificação das pessoas, sobre o senso ou a falta de senso crítico das pessoas e “Boca Aberta” é a própria ansiedade em forma de música”.

(Foto: Divulgação/Amazon)

Mezmerize (2005) – System Of A Down
“É a primeira parte de um projeto que se encerrou com o álbum Hypnotize que foi lançado também no mesmo ano. É um álbum pesado, com letras explícitas e com críticas certeiras. System Of A Down mais uma vez se reinventou e surpreendeu com esse álbum. Eu, estudante de Publicidade e Propaganda, não posso deixar de falar da última música do álbum (por sinal é a minha favorita da banda) ‘Lost In Hollywood’, que fala de Hollywood, sobre ser uma cidade que permite que você sonhe, mas que também pode acabar com todos os sonhos. Se eu tivesse que falar para escutar uma única música desse álbum, seria sem sombra de dúvidas ‘Lost In Hollywood'”.

(Foto: Divulgação/Amazon)

MTV Unplugged No. 2.0 (2002) – Lauryn Hill
“Eu nunca ouvi um álbum com tanto sentimento quanto esse. Lauryn Hill já é conhecida por colocar a alma nas músicas, mas esse MTV Unplugged a cantora entrega tudo. Sendo um álbum gravado ao vivo, contém várias falas sobre as lutas pessoais e artísticas, mostrando um lado humano e frágil que, muitas vezes, não é percebido pelo público. Ela mostra a revolta com diversas situações que nos acontecem como na música ‘I Find It Hard To Say (Rebel)’, a questão da inquietude da mente (que muitas vezes nos assombra principalmente atualmente) em ‘I Gotta Find Peace of Mind’ e grita por autonomia em ‘I Get Out’ e eu diria que a música com a crítica mais pesada para si próprio ‘Adam Lives in Theory’. Isso tudo em acústico, somente acompanhada de sua voz, da plateia e do violão”.

(Foto: Divulgação/Escuta essa review)

Lemonade (2016) – Beyoncé
“Depois de dois anos sem álbum e com a mídia falando muito sobre a vida de Beyoncé, ela surge toda maravilhosa com o “Lemonade”, que vem para reafirmar que é dona de si, que sabe como lidar com seus problemas e que ela não é o que chamam de “ativista de telão”. Ela mandou um recado para o marido Jay-Z e mostrou o orgulho de suas origens. É um álbum extremamente conceitual e acompanha um filme. Os clipes das músicas são maravilhosos e tem música para todo momento. Vale destacar algumas músicas em especiais como ‘Freedom’, que é literalmente um grito por liberdade; ‘Daddy Lessons’ em que Beyoncé demonstra o seu orgulho mais uma vez pelo estado onde nasceu, o Texas – EUA; e ‘Formation’ é uma música que significa muito para mim, pois me toca bastante quando eu vejo escrito no clipe ‘Parem de atirar em nós'”.

(Foto: Divulgação)

Aaliyah (2001) – Aaliyah
“Grande e saudosa Aaliyah. Esse álbum foi, infelizmente, o último trabalho de estúdio da cantora, que faleceu em agosto de 2001. O álbum contém a visão dela sobre o relacionamento abusivo que a mesma teve. Muito se especulou e se especula sobre a vida amorosa dela depois da morte, mas as músicas deixadas foram uma forma de “registrar” a versão disso tudo”.

inspiração na publicidade

Maria Eduarda afirma que publicitário Nizan Guanaes é uma das referências na área (Foto: Blogcitário)

Maria Eduarda relata gostar bastante do publicitário Nizan Guanaes. Ela conta que suas campanhas são sempre fora do padrão e que ele consegue colocar a inclusão nelas de uma forma extremamente natural, como deve ser feita. Além disso, Maria Eduarda expõe que ele não é apenas um publicitário, mas seu nome também está ligado a diversas causas humanitárias, como: ‘Clinton Global Initiative’, ‘Women in the World Foundation’, ‘Together for Girls’, entre várias outras.

Propagandas e campanhas

Na lista abaixo, ela inclui propagandas e campanhas que também diz gostar e que acredita valer a pena conferir:

  • “Parmalat: Tomou?”;
  • Comercial Tortuguita “Estúpida”;
  • Folha de S. Paulo “Hitler”;
  • Todas da Bombril não tem como escolher apenas uma, Carlos Moreno entrega tudo;
  • Os comerciais da Fnac, são criativos na simplicidade;
  • Os comerciais entre rivais são maravilhosos (Guaraná Antarctica x Coca-Cola), (Coca-Cola x Pepsi) e (Burger King x Mcdonald’s).

“A minha escolha desses comerciais se deve, de fato, a alguma coisa diferente que cada uma tem, literalmente uma assinatura única. Algumas pela simplicidade (“Fnac”), outras pelo imprevisível (“Hitler” e “Estúpida”). Algumas até pelo previsível que não é tão óbvio e muito menos bobo (“Bombril”). Eu também não aguento a fofura da propaganda “Parmalat: Tomou?”.

Maria Eduarda Souza Silva

Canais no YouTube

Maria Eduarda afirma que a plataforma que ela mais utiliza para ficar por dentro dos assuntos mais relevantes é o YouTube. Por isso, ela irá ressaltar os quatro canais que mais assiste.

Canal 90 (Fonte: YouTube)

Canal 90
Maria diz adorar a década de 90. Como nasceu no final da década, não pode aproveitar nada. Então, gosta muito de assistir a essa canal para saber mais sobre: “nem consigo acreditar que existiu de fato”, conta.

Ler até amanhecer (Fonte: YouTube)

LER ATÉ AMANHECER
Ela relata ser uma amante de casos reais, documentários, entre outros. Nesse canal, ela pode assistir tudo isso de uma maneira reduzida e com fontes confiáveis. Outro ponto que ela preza, é a praticidade: “sem o canal, eu levaria dias ou até semanas para adquirir a quantidade de informação necessárias para suprir a minha curiosidade sobre os casos”, expõe.

Gabi Oliveira (Fonte: YouTube)

Gabi Oliveira
Maria aponta que esse canal traz discussões sobre diversos assuntos. Além disso, a Gabi Oliveira abre espaço para alguns especialistas tratarem de temas importantíssimos, como racismo, vida financeira, política, notícias, entre outros.

Nátaly Neri (Fonte: YouTube)

Nátaly Neri
Por fim, ela mostra que a ‘youtuber’ Nátaly Neri produziu um documentário, que está disponível no canal dela, chamado “NEGRITUDES BRASILEIRAS”, o qual a influenciou a passar de apenas consumidora, para também produtora. Ela diz ainda que quem tiver a oportunidade, assista a esse documentário.

Depois que eu assisti o documentário NEGRITUDES BRASILEIRAS foi quando eu tive a plena certeza que eu não queria somente gostar e consumir. Algum dia desejo ter a oportunidade de produzir um, basta, agora, saber quando

Maria Eduarda Souza Silva

Imagem de Destaque: Arquivo Pessoal

Edição: Daiane Obolari

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