tecnologias aplicadas na educação são ferramentas de abertura da sala de aula para o mundo

Maria Clara Leitão

Tablets, computadores e celulares. Antes, proibidos em sala de aula. Atualmente, estão presentes no cotidiano dos alunos e das escolas. Estudantes, cada vez mais cedo, descobrem como explorar ferramentas que transformam a prática da obtenção do conhecimento. Por muito tempo a educação era um espaço que oferecia métodos considerados “defasados” e com base em quadros e aulas expositivas. Entretanto, essa posição é colocada à prova diante da pandemia da Covid-19 e da revolução cultural, um processo de construção de uma nova escola mais interativa, dinâmica e atraente.

A tecnologia é um instrumento de abertura da escola para o mundo, uma vez que viabiliza a formação de cidadãos mais conectados. A realidade do mundo moderno busca pessoas criativas, que consigam comunicar suas ideias e colaborar com os outros. O ambiente educacional deve ter como base e apoio alunos que têm o desejo de aprender com mais rapidez, que são curiosos e vão em busca dessa aprendizagem.

Na avaliação da Mestre em Multiletramentos, estudo relacionado à multiculturalidade da sociedade globalizada e o seu impacto no ensino, Fernanda Pietroluongo, essa educação vem tentando acompanhar o ‘novo’ estudante que é cercado sempre pela tecnologia. “Os alunos, hoje, são capazes de criar múltiplas interações e estão sempre abertos para experimentações do mundo moderno. Por isso temos que pensar na tecnologia como um instrumento que não pode ser ignorado”, ressalta.

(Imagem: Pexels)

Escolas e redes de ensino já começaram a perceber as novas habilidades e conhecimentos que os estudantes possuem, adquiridos de maneira individual e na curiosidade do acesso à tecnologia. Esses estudantes desejam um ensino mais personalizado e não querem ser uma massa em uma sala de aula. Eles desejam que o seu ritmo, sua personalidade e os seus interesses sejam contemplados na educação, deixando, dessa forma, a nova escola mais interativa, dinâmica e atraente.

A Técnica e Especialista em Informática Eveline Pires ressalta a situação em que muitos professores têm o desafio de se reinventar na nova sala de aula e, ao mesmo tempo, entender que no contexto atual, o aluno já possui o conteúdo da educação em mãos. Para ela, esse aluno não é mais como postulado anteriormente pelo educador Paulo Freire: “uma folha em branco com a necessidade de ser preenchida”.

O professor funciona como mediador da tecnologia, do conhecimento e da aprendizagem. Ele, ainda, realiza a mediação das reflexões entre os alunos e os temas abordados em sala

Eveline Pires

Com a tecnologia a sua disposição, esses profissionais têm usado a internet para expandir os limites das salas de aula da educação e tem aumentado os seus rendimentos. Ensinar pela web possibilita não somente alcançar mais alunos e diminuir gastos com deslocamentos, é uma ação que tem se mostrado um negócio inovador nos tempos modernos.

Esse é o caso da graduanda em licenciatura em Teatro e pesquisadora de Pedagogia Teatral Mariana Venâncio. Ela criou, com base no Instagram, um espaço para a democratização no ensino artístico. “Sempre fui muito ligada a tecnologia e a arte, mas nunca tinha relacionado a arte e a tecnologia. Foi no contexto da pandemia que vi não só a necessidade, mas o interesse em pensar nas duas áreas conectadas”, destaca.

Por meio do Instagram “Garalhufa”, Mariana tem a oportunidade de divulgar os seus conhecimentos para o público. Mesmo considerando a dificuldade de ‘transpor’ a linguagem pedagógica do teatro para o ambiente virtual, a jovem acredita que com a plataforma pode divulgar conhecimentos a mais indivíduos.

Tudo é questão de criatividade e adaptação do conteúdo

Mariana Venâncio

Novo perfil de aluno

Estudantes entre 15 e 20 anos são conhecidos como os “Nativos Digitais” (Foto: Pexels)

Postar, compartilhar, tuitar, fazer downloads e uploads de arquivos. Cada vez mais esses termos comuns integram o dia a dia da sala de aula nas conversas dos chamados “Nativos Digitais” ou “Geração Z”. O termo foi utilizado inicialmente em 2001 por Marc Prensky, especialista estadunidense em educação. Atualmente, o termo é designado para os estudantes entre 15 e 20 anos e que cresceram com a expansão da internet, com a ligação direta de computadores e aparelhos eletrônicos.

Nessa nova geração de alunos, mais do que a relação com a tecnologia, possuem uma relação direta com a informação. Dessa forma, escolas estão cada vez mais atentas à reestruturação exigida na educação, aos aspectos em relação ao comportamento e a busca pelo conhecimento.

O Diretor do Colégio Múltipla, Leonardo Gama, explica que, com mais de 40 anos de experiência em sala de aula, teve que reformular didáticas e levar cada vez mais inovações para a rede de ensino. “Estamos em uma fase de reeducação, de rediscutir o currículo da educação básica, que durante anos e anos foi inchado com conteúdos tradicionais e divisão de disciplinas. Atualmente, estamos no desafio de reformular escolas para acompanhar esse estudante que deseja o novo a cada dia e, principalmente, agora”, relata.

Para o estudante Miguel Lázaro, 16 anos, pela facilidade de acesso à internet e à tecnologia, as vezes é mais fácil pesquisar na internet do que esperar para estudar durante as aulas. “Eu uso a tecnologia para tudo e, principalmente, sou considerado muito curioso. Qualquer dúvida de matérias ou informações extras sobre algum assunto, eu vou na hora no Google e pesquiso”.

O Pedagogo Fabiano Rezende esclarece que, com esse novo perfil, a escola precisa orientar os alunos a interpretar os dados recebidos, raciocinar, tirar conclusões e desenvolver competências. “Há uma necessidade de um acompanhamento direto na utilização das ferramentas da obtenção desse conhecimento. Um dos papéis da escola nos tempos atuais é justamente refletir criticamente sobre o que é uma conduta ética no mundo virtual”, destaca o pedagogo.

Foto do Destaque: Pexels

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