Nathália Ferreira – SEGUE A DICA

Daiane Obolari

O “Segue a dica” da semana é com a aluna Nathália Ferreira, 24 anos, do 7º período do curso de Jornalismo da FAESA Centro universitário. Quem olha Nathália, hoje, realizada no curso, não imagina que ela passou por vários “caminhos” até se descobrir no jornalismo. Quando mais jovem, ela tinha o sonho de ser uma atriz famosa, mas, no ensino médio, demonstrou ser uma ótima aluna em química. Em 2015, começou o curso de química na UFES, e após se livrar de um relacionamento abusivo que a fez perder um pouco da felicidade em 2016, Nathália percebeu que não era isso o que queria para a vida.

Naquele ano, a jovem prestou o vestibular e conseguiu entrar para o curso de jornalismo em 2018. A paixão pelo curso veio a partir de um projeto chamado “Virando a página” que a encantou e fez enxergar o lado humanizado da profissão. O projeto estimula os detentos do Complexo Prisional de Xuri (ES) a lerem obras literárias e, assim, terem uma possível remição no tempo da detenção. “Foi no projeto que eu falei assim: ‘eu tenho que ser jornalista. Eu quero ser jornalista’. Eu não sabia qual a área que eu queria seguir, mas eu sabia que estava no meu lugar certo e fui trilhando o meu caminho a partir daquele momento”, relata Nathália sobre a experiência.

Nathália Ferreira explica que o Projeto “Virando a Página” foi fundamental para ser uma jornalista (Foto: Arquivo Pessoal)

Agora, que está quase se formando, ela diz ver tudo que passou e conquistou. Nathália relata ainda ser muito grata por ter escolhido a si em primeiro lugar, além de ter tido a confiança de fazer um curso que caracteriza como maravilhoso. A futura jornalista finaliza dizendo que sente que pode fazer muito mais com o jornalismo e que essa é a grande motivação.

Eu estava muito insegura no início, mas eu sei que iria me “jogar de cabeça”. Todas as oportunidades que chegaram para mim, eu aproveitei e fiz

Nathália Ferreira

Filme

(Foto: Reprodução)

Nathália traz como indicação o filme “O jogo da imitação” que retrata um acontecimento real. A obra conta a história de Alan turing, que é extremamente inteligente na área tecnológica e ajudou a decifrar os enigmas dos códigos nazistas criando uma máquina, se tornando um pioneiro da computação. Infelizmente, Alan é morto por conta de sua orientação sexual, um grande preconceito.

Ela recomenda esse filme com a intenção de conscientizar sobre como a sociedade age. Apesar de ter dado uma grande contribuição para ciência tecnológica e ter sido uma peça fundamental na Segunda Guerra Mundial, ele foi mais uma vítima da descriminação. Além dele, ela cita ainda outros dois filmes de época: “Orgulho e Preconceito” e “Desejo e Reparação”.

Série

O conto de Aia, derivado de um livro de mesmo nome, com a temática de romance distópico, é da autora canadense Margaret Atwood. A série conta a história sobre como o mundo seria baseado nas leis de Deus, além de mostrar os impactos de levar tudo que é sagrado ao pé da letra. Além disso, ela aborda temas importantes como o feminismo, a desigualdade de gênero e a homofobia.

Por um acaso, eu comecei a assistir me encantei demais. É uma das minhas séries favoritas

Nathália Ferreira

Confira abaixo o trailer da série que já conta com quatro temporadas disponíveis:

Livro

(Foto: Reprodução/ Amazon)

A indicação de livro que Nathália traz é da autora Daniela Arbex: “Holocausto brasileiro”, que foi publicado em 2013. O livro é um relato sobre as atrocidades cometidas no Hospital Psiquiátrico em Barbacena, Minas Gerais. As pessoas com epilepsia, ansiedade, síndrome de down, da comunidade LGBTQIA+, mulheres que queriam se divorciar dos maridos e vice-versa eram tratados de forma desumana, sem nenhum respeito aos Direitos Humanos.

A autora traça paralelos entre o Holocausto que aconteceu na Alemanha com as crueldades vividas no hospital mineiro. “Ler esse livro foi muito impactante para mim, me marcou muito. São poucos os brasileiros que conhecem esse acontecimento. E eu acho isso um absurdo”, completa Nathália. Além disso, é um fato muito marcante da história do Brasil, pois o hospital funcionou de 1903 a 1996, deixando mais de 60 mil mortos e inúmeras vidas afetadas para sempre.

Música

(Foto: Reprodução/ Fm Cultura)

A indicação é da música Como os Nossos Pais interpretada pela cantora Elis Regina. Além de ter representatividade pessoal, Nathália relata ser uma música que todos deveriam ouvir por ter uma grande consciência. Apesar de ter sido escrita há muitos anos com uma grande repressão, a música ainda conversa muito com os tempos atuais por tratar de temas relevantes como o preconceito, a liberdade e a busca pelos direitos e deveres.

Valorizo muito a liberdade e a busca pela liberdade para dizer quem você É e quem você quer ser

Nathália Ferreira

Cantor

Nathália sugere a indicação do cantor brasileiro Baco Exu do Blues por transmitir uma mensagem muito importante de consciência preta à sociedade por meio das composições. “Acredito que todos deveriam ouvir por conta da consciência que ele impõe“, conta.

Baco Exu do Blues (Foto: Divulgação)

Artes

Um grande artista que a inspira é o pintor pós-impressionista holandês Vincent Van Gogh devido a batalha contra a depressão e os transtornos psicológicos. O artista passou por muitas dificuldades em vida e começou a ter as obras valorizadas apenas após o falecimento em 1890. O quadro “A Noite estrelada” de 1889, um dos mais conhecidos de Van Gogh, também tem grande significado para Nathália. Ela chegou a desenhar o quadro na aula de Comunicação e Arte ministrada pelo professor Emilio Aceti no curso de Jornalismo da FAESA.

O fato da pintura não ter traços exatos, me chama a atenção. A obra traz belíssimas paisagens, mesmo não estando com linhas perfeitas. Ele pintava com sentimento. Eu acho isso incrível

Nathália Ferreira
“A noite estrelada” foi pintada por Van Gogh em 1889 (Foto: Museu de Arte Moderna de Nova Iorque)

Inspiração no Jornalismo

Ela conta que sua grande referência é a jornalista Fátima Bernardes, que saiu do jornal de maior prestígio no País, o “Jornal Nacional” da TV Globo, para ter um programa de entretenimento, o “Encontro”, na mesma emissora. Apaixonada também por essa área mais informal, Nathália diz querer seguir os mesmos passos de Fátima na apresentação. Além disso, ela destaca que o programa aborda questões sociais ao levar convidados para discutir sobre os temas pautados.

A apresentadora Fátima Bernardes nos bastidores do programa ‘Encontro’ da TV Globo (Foto: Divulgação/Gshow)

Edição: Daiane Obolari

Imagem de destaque: Arquivo pessoal

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