‘Setembro Azul’ – Falta de acessibilidade digital gera exclusão

Nicolle Barbosa e Francine Gomes

Setembro Azul é o mês da visibilidade da Comunidade Surda Brasileira e diversas ações são realizadas com o propósito de comemorar as conquistas que a comunidade obteve ao longo dos anos e conscientizar a população sobre acessibilidade. Em razão dessa campanha tão especial, o FaesaDigital irá publicar uma série de cinco conteúdos voltados para o tema. A acessibilidade digital é o primeiro assunto a ser apresentado.

Acessibilidade digital é o termo utilizado para a prática de websites, redes sociais e recursos online inclusivos, ou seja, que possam ser acessados por pessoas com todos os tipos de deficiência. Apesar de ser obrigatória desde 2016 pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), apenas 0,74% dos sites brasileiros são acessíveis. Segundo dados de um estudo desenvolvido em 2020 pelo Movimento Web Para Todos em parceria com a plataforma BigDataCorp, esse fator potencializa a exclusão social dos indivíduos surdos.

Marcelo Sales, designer especialista em acessibilidade digital (Foto: Arquivo Pessoal)

A LBI provocou mudanças significativas em códigos e leis que excluíam a pessoa surda do escopo, como o Código Eleitoral, Código de Defesa do Consumidor e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Isso porque, a partir do momento em que entrou em vigor, a deficiência deixou de ser uma condição estática e biológica da pessoa e passou a ser o resultado da falta de acessibilidade que a sociedade e o Estado dão às individualidades de cada um.

O designer especialista em acessibilidade digital Marcelo Sales explica que o assunto tem sido cada vez mais discutido, principalmente, pelas empresas, que visam alcançar status positivo perante a comunidade surda. No entanto, para ele, o correto seria pensar em acessibilidade para beneficiar e incluir as pessoas e não apenas pelo reconhecimento diante da sociedade. Segundo o especialista, o principal desafio é essa falta de percepção de que investir em inclusão gera benefícios para todos.

Paula Pfeifer, idealizadora do projeto Crônicas da Surdez (Foto: Arquivo Pessoal)

Já para a idealizadora do Projeto Crônicas da Surdez, Paula Pfeifer, acessibilidade digital nunca antes esteve em pauta no Brasil e somente virou tema diante do contexto de pandemia, pois milhões de pessoas se viram presas em casa e descobriram que precisavam de recursos inclusivos no ambiente online e eles não existiam. Ela destaca:

Muitos colocam os surdos na posição de invisíveis enquanto seres humanos consumidores e pouco se pensa em inclusão

Paula Pfeifer

É o caso do auxiliar administrativo Diego Santana. Ele precisou deixar de participar de reuniões online da empresa em que trabalha por não conseguir acessar o que era passado, já que não havia uma pessoa fluente em Libras para ajudá-lo.

Auxiliar administrativo Diego Santana (Foto: Arquivo Pessoal)

Sou surdo e preciso dos meus direitos reservados. Nós lutamos até hoje para ter mais acessibilidade. O meu sonho é chegar em algum lugar, pedir informação e receber de alguém em Libras e de forma espontânea

Diego Santana

O designer João Pedro Acciari da Silva Franco relata que, assim que se formou, sentiu a necessidade de expor a experiência dele e falar sobre a luta da comunidade surda por meio de perfil no Instagram. Ele explica que só no Ensino Médio teve contato com surdos sinalizantes, o que o fez perceber que existiam muitas diferenças entre esses sujeitos e os ouvintes, como a falta de informação, de conhecimento e, principalmente, de respeito.

Edição: Karol Costa

Imagem Destaque: Reprodução da campanha

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