‘SETEMBRO AZUL’ – Comunidade surda luta por representatividade social

Nicolle Barbosa e Francine Gomes

Apesar dos avanços, a Comunidade Surda Brasileira ainda luta por representatividade social. A quarta reportagem da série especial “Setembro Azul” traz as dificuldades da comunidade em relação a falta de representatividade dos surdos na sociedade. Veja também as outras matérias que compõem a série: “Falta de acessibilidade digital gera exclusão”, “Exclusão afeta futuro escolar” e “Escassez de recursos acessíveis limita cultura”.

O verbo representar designa a qualidade de alguém em exprimir as opiniões políticas de determinada comunidade. Nesse contexto, é perceptível que o ambiente digital tem se transformado para tornar a acessibilidade uma realidade nos conteúdos compartilhados e, consequentemente, ampliar a representatividade de minorias. Com mais de um bilhão de usuários ativos, o Instagram, por exemplo, aprimora ferramentas como legendas automáticas em vídeos e descrição de áudios para que os surdos também participem, ativamente, do aplicativo.

Digital Influencer Andreia Amorim (Foto: Arquivo Pessoal)

Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), em 2020, mostra que 5% da população brasileira é constituída por pessoas surdas, mas quem vivencia a deficiência relata que, ainda, não se sente representado nas mídias sociais. Sendo assim, a representatividade é formada por características, diretamente, interferentes na construção do sujeito, seja para gerar identificação ou exclusão.

A influencer digital surda Andreia Amorim conta que começou a criar conteúdo em Libras para a internet com o intuito de levar debates interessantes sobre feminismo e autoestima, de forma acessível, aos seguidores. Ela explica que os ouvintes também podem produzir conteúdos mais inclusivos ao adotar legendas em todos os vídeos, inteirar-se mais profundamente sobre a diversidade surda e aprender Libras, pelo menos, o básico, para se comunicar.

Psicóloga Edireusa Fernandes (Foto: Arquivo Pessoal)

A psicóloga Edireusa Fernandes afirma que a falta de visibilidade de pessoas surdas se dá pela visão capacitista da sociedade ouvinte. Esse comportamento pode gerar o sentimento de não pertencimento do surdo, o que corrobora para um sofrimento psíquico. Ela explica que é preciso romper as barreiras estruturais, atitudinais e comunicacionais.

Quando a sociedade aprender a olhar para a pessoa e não para a deficiência, enxergar as habilidades e não as limitações, já será um grande avanço

Edireusa Fernandes

A representatividade social se mostra importante pelo fato de proporcionar segurança na inserção do indivíduo na sociedade. A fonoaudióloga Rosana Rezende explica que a questão estética também é uma pauta a ser discutida, principalmente entre os deficientes auditivos mais jovens, devido ao uso do aparelho. Ela expõe que quando o cidadão está bem resolvido com a surdez e com o grupo em que está inserido, os desafios são menores. Isso implica em uma representação constante de imagem e cultura surda em todos os meios de comunicação.

Edição: Karol Costa

Imagem Destaque: Jordana Duarte/Núcleo de Publicidade do Lacos

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