‘SETEMBRO AZUL’ – Inclusão familiar promove mais oportunidades aos surdos

Nicolle Barbosa e Francine Gomes

A inclusão familiar é fundamental na vida dos surdos, mas muitas famílias ainda não sabem lidar com pessoas surdas no próprio núcleo familiar. A quinta e última reportagem da série especial “Setembro Azul” traz as dificuldades da comunidade surda no meio familiar. Veja também as outras matérias que compõem a série: “Falta de acessibilidade digital gera exclusão”, “Exclusão afeta futuro escolar”, “Escassez de recursos acessíveis limita cultura” e Comunidade surda luta por representatividade social.

Além de criar aparatos técnicos, aprovar leis que fomentem a acessibilidade e discutir a questão da inclusão, é preciso fornecer apoio às famílias das pessoas surdas, que exercem papel crucial no desenvolvimento socioemocional desses indivíduos. A inclusão precisa acontecer primeiro no núcleo familiar para que os sujeitos se sintam acolhidos e, assim, tenham menos dificuldade para enfrentar os desafios diários, que incluem preconceito, marginalização e exclusão.

Estudante de Serviço Social Marcela Schmitel Terra (Foto: Arquivo Pessoal)

No entanto, muitos pais e responsáveis sequer sabem como lidar com os filhos surdos por falta de conhecimento e por não saberem Libras. A estudante de Serviço Social Marcela Schmitel Terra, que é surda bilateral moderada, conta que passou a infância sendo excluída das relações familiares por não ter sido diagnosticada.

Meus familiares brigavam comigo porque eu não conseguia ouvir eles e, com isso, não interagia, o que me fez crescer com vergonha de mim mesma

Marcela Schmitel Terra

Psicóloga Natália Amaral da Conceição. (Foto: Arquivo Pessoal)

A psicóloga Natália Amaral da Conceição destaca que o contexto de exclusão e segregação na infância irá gerar reflexos por toda vida adulta dos indivíduos surdos. Ela explica que as principais queixas que recebe são de tristeza, exclusão e solidão. Segundo a especialista, a saúde emocional dessas pessoas excluídas do convívio social fica muito prejudicada e as consequências são graves.

Por isso, a terapeuta ocupacional Patrícia Andrade afirma a necessidade de saber o diagnóstico da surdez logo na infância e, assim, criar ferramentas de intervenção que ajudem as crianças no cotidiano e evitem o sofrimento diário de exclusão. Ela explica, ainda, que uma atitude que ampliaria a inclusão seria a criação de escolas bilíngues, pois, dessa forma, a sociedade ouvinte teria conhecimento sobre o sujeito surdo e a diversidade dessa comunidade.

Terapeuta Ocupacional Patrícia Andrade (Foto: Arquivo Pessoal)

Frequentar um espaço que não tem um profissional para atender as pessoas surdas já é uma forma de exclusão no acesso a um direito básico

Patrícia Andrade

A família constituída apenas por integrantes surdos também enfrenta desafios, visto que a falta de acesso se amplia a todos. Esse é o caso da professora universitária Francielle Cantarelli, que é surda, da mesma maneira que o marido e as duas filhas. Ela conta que hoje as crianças têm mais acesso à educação, realidade contrária à dela, que aprendeu Libras apenas aos 13 anos.

A professora explica que explora ao máximo a acessibilidade prestada às filhas a fim de preservar o bem-estar e a autoestima, além de oportunizá-las a ocupação de espaços que elas são capazes de alcançar. Ela reafirma, junto às filhas, a questão de buscar a identidade, a cultura, a língua e o orgulho surdo.

Edição: Karol Costa

Imagem Destaque: Jordana Duarte/Núcleo de Publicidade do Lacos

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