TBT CAPIXABA – Batalha do Cricaré

Karol Costa

O Espírito Santo é um estado singular e que apresenta importantes fatos históricos e uma bela diversidade nas manifestações culturais. Ao longo dos séculos, uma boa parte dessas histórias e dessas tradições foi “esquecida” ou simplesmente nunca foi apresentada à população. Por essa razão, o FaesaDigital inicia a série de reportagens TBT CAPIXABA para resgatar a memória de diversos fatos históricos e culturais espírito-santenses. E a Batalha do Cricaré é o primeiro acontecimento a ser apresentado.

Em 22 de maio de 1558, iniciava-se um dos mais sangrentos confrontos entre portugueses e indígenas Aimorés, ou Botocudos, na região da Capitania do Espírito Santo: a Batalha do Cricaré, realizada próximo ao encontro dos rios Cricaré e Mariricú, no então povoado do Cricaré, atualmente, município de São Mateus.

Curvas do Rio Cricaré (Foto: Reprodução/Nara Nascimento/Pinterest)

Meses antes da batalha, o donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho, escreveu uma carta ao Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, solicitando navios e homens para ajudá-lo a enfrentar os indígenas que haviam, mais uma vez, destruído quase toda a Vila Velha e a Vila de Vitória.

Então, em 1558, Mem de Sá enviou seis navios e mais de duzentos homens, sob o comando do próprio filho, Fernão de Sá. Os portugueses partiram de Salvador em direção a Vila de Vitória, porém, ao chegarem na Vila de Porto Seguro, receberam informações sobre uma grande concentração de indígenas às margens do Rio Cricaré.

Fernão de Sá e seus homens partiram imediatamente rumo ao povoado do Cricaré. Ao chegarem a foz do rio, os portugueses puderam ver as três fortificações construídas pelos indígenas, contendo grandes muralhas circulares, feitas com palha e madeira, chamadas de marerique.

Índios Botocudos (Foto: Reprodução/Walter Garbe/Biblioteca Nacional Digital)

Em grande número, os colonizadores chegaram às margens do rio em pequenos barcos, começando a batalha. Indígenas com flechas, portugueses com espadas e armas de fogo. Desta maneira, Portugal conseguiu derrubar dois, dos três fortes indígenas, porém perdendo muitos homens no confronto.

Os indígenas, mesmo em desvantagem em relação as armas utilizadas, estavam em maior número e conseguiram proteger o terceiro forte. Fernão de Sá, então, com apenas dez homens restantes, ordenou recuo, mas o mesmo foi atingido por várias flechas, morrendo no local. Apenas três portugueses conseguiram chegar vivos aos barcos.

A notícia sobre a morte de Fernão de Sá repercutiu pela Europa, alimentando ainda mais o ódio e a vontade de vingança por parte dos portugueses. Mem de Sá, ressentido pela morte do filho, enviou posteriormente uma nova esquadra para o povoado do Cricaré. Acontecia o primeiro genocídio de indígenas em terras capixabas com cerca de 8 mil mortos.

Edição: Karol Costa

Imagem Destaque: Bruna Firmes/Núcleo de Publicidade do Lacos

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