Livro narra a história da cidade de Muqui

Bruno Laurindo

A cultura de Muqui é tão rica que tem a oferecer duas grandes tradições folclóricas identificadas através da “Folia de Reis” e do “carnaval do Boi Pintadinho”. No coração de Muqui é possível encontrar a bela igreja matriz São João Batista com seus vitrais fabricados em São Paulo e no Rio de Janeiro, com pinturas do italiano Giuseppe Irlandini, executadas na década de 40.

Professora aposentada Ney Costa Rambalducci (Foto: Bruno Laurindo)

O sítio histórico tem uma estação de trem com uma estrada de ferro que corta a cidade toda, ambas do século passado, e ainda conta com a ilustre moradora, pedagoga e escritora Ney Costa Rambalducci, autora do livro ‘Muqui: passado de glória, futuro de esperança’. Ney nasceu na própria Muqui em 22 de junho de 1934. Ela é viúva e tem dois filhos, seis netos e um bisneto. Professora aposentada, Dona Ney é autora do primeiro livro que conta a história da cidade.

Em seu palacete azul localizado no centro da cidade de Muqui, Dona Ney concedeu uma entrevista e mostrou objetos raros e pertences do tempo em que a mãe era criança. A escritora disse ser muquiense de coração e revelou o que os leitores podem encontrar no livro “Muqui: passado de glória, futuro de esperança”.

Confira a entrevista:

Câmera fotográfica antiga (Foto: Bruno Laurindo)

FaesaDigital – Como surgiu o projeto do livro “Muqui: passado de glória, futuro de esperança“?

Ney Costa Rambalducci – Eu sempre procurei saber da história de Muqui, mas ninguém nunca soube. Minha avó me contava as coisas do tempo dela. Minha mãe me contava muita coisa da época dela. Percebi que eu sabia menos que minha mãe. Minha mãe sabia menos que minha avó. E meus filhos iam saber menos que eu. Ou seja, tinha que existir um jeito de ter uma memória. Escrevi o livro porque não tinha nada concreto que falasse de Muqui. Procurava na prefeitura e não tinha nenhum arquivo que falava da cidade. As pessoas precisavam saber como surgiu Muqui. Então comecei a colecionar coisas. Fui juntando, fui juntando, fui juntando e fiz o livro. Levei 10 anos pesquisando e juntando material.

FaesaDigital – Como a senhora teve acesso aos primeiros materiais?

Ney Costa Rambalducci – O esposo de uma amiga tinha jornais antigos de Muqui (1913 a 1932). Ele ia doar para a prefeitura. Daí eu pedi e ele me deu aquela “montoeira” de jornal. Sentei no chão e fui separando. Primeiro separei por anos, depois por mês e data. Fui separando tudo e colocando em sacolas de plásticos.

Igreja matriz São João Batista (Foto: Bruno Laurindo)

FaesaDigital – O que os leitores podem encontrar no livro?

Ney Costa Rambalducci – O livro começa em 1850. Os textos falam sobre os primeiros habitantes, as primeiras famílias, os primeiros profissionais, os primeiros médicos, as primeiras reuniões, as primeiras escolas e os primeiros professores da cidade. A obra fala sobre a inauguração do asilo de Muqui; fala também da associação dos colégios de Muqui; a associação do meio ambiente; a implantação do banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Explica como surgiram os primeiros bairros; os primeiros campos de futebol; os primeiros times de futebol da cidade; as primeiras creches; as bandas de músicas, como por exemplo, a fanfarra; o livro fala também da construção da Igreja matriz São João Batista entre outros assuntos.

Estrada de ferro em Muqui (Foto: Bruno Laurindo)

FaesaDigital – E sobre a construção da igreja matriz São João Batista, o que pode contar?

Ney Costa Rambalducci – Tem uma história sobre essa igreja católica. Primeiro construíram uma capela pequena. Quando a capela já não cabia mais os fies, eles fizeram uma igreja envolta da capela e deixaram a capela dentro. Quando a nova igreja estava pronta para receber os fiéis, eles desmancharam a capela. A segunda igreja ficou pequena e eles fizeram uma terceira igreja em volta da segunda. Eles aproveitaram a torre principal com o relógio que era pertencente à segunda igreja. Quando a terceira igreja estava pronta para receber os fiéis, eles demoliram a segunda. A cruz da atual igreja é a mesma cruz que era pertencente à segunda igreja. Só aumentaram o pé da cruz e a torre. O leitor encontra tudo isso no livro.

Edição: Karol Costa

Foto do Destaque: Bruno Laurindo

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