AVANÇOS NO TRATAMENTO MELHORAM A QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS QUE CONVIVEM COM HIV

Ana Carolina Effgem e Fernanda Sant’Anna

Esta é terceira matéria da série de reportagem sobre HIV e Aids. Confira também as primeiras matérias: Retrato da epidemia de aids nos anos 80 no Brasil e Preconceito contra soropositivos ainda é presente na sociedade

Desde que a Aids surgiu, o tratamento para a pessoa soropositivo avançou, mudou o cenário desesperador e melindroso da década de 1980 e trouxe esperança e qualidade de vida para todos que convivem com o vírus do HIV. Os primeiros antirretrovirais, os medicamentos usados no tratamento, surgiram na década 1980, sendo distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1996.  O uso regular dos antirretrovirais é fundamental para controle e inibição da Aids, pois os medicamentos agem inibindo a multiplicação do vírus HIV, o que evita, assim, o enfraquecimento do sistema imunológico. 

O uso regular dos antirretrovirais é fundamental para controle e inibição da Aids (Foto: iStock)

Antes da comunidade científica descobrir as formas de transmissão do vírus, muitas situações de contaminação poderiam ter sido evitadas, como a transfusão de sangue contaminado e a utilização de materiais metálicos sem a correta esterilização. De acordo com o médico Elmo de Tarso, o governo brasileiro tomou medidas para combater a contaminação assim que os meios de transmissão foram descobertos. A substituição das seringas de vidro para os materiais descartáveis e a testagem do sangue passaram a ser obrigatórios. Além disso, campanhas de conscientização para o sexo seguro e a distribuição de camisinhas gratuitas foram intensificadas no Brasil. 

Elmo Tarso afirma também que o Brasil se tornou referência no mundo na prevenção contra o vírus. As clínicas particulares não tinham autorização para atender as pessoas vivendo com HIV e o encaminhamento para clínicas especializadas do governo era obrigatório, pois no local os pacientes teriam equipes preparadas para atendê-los.

Sobre o surgimento da doença nos anos 80 e como o tratamento é mais acessível atualmente do que na época do estouro da doença, a enfermeira Maryanni Camargo diz que o Sistema Único de Saúde não estava preparado para atender as pessoas. Ela conta que hoje existe um sistema de atenção especializada para HIV e Aids com profissionais treinados e capacitados para ajudar os pacientes. Esses profissionais trabalham não só a doença, mas o psicológico e tudo que envolve o paciente.

O tratamento se tornou mais acessível porque as pessoas passaram a entender a doença, entender o tratamento e acolher ao invés de julgar aquele que ia para ser atendido

Maryanni Camargo

Emanuelle Araújo, 30, convive com o HIV desde os 20 anos. Ela relata que o avanço do tratamento melhorou a qualidade de vida dela, devolvendo o sonho de ter uma vida o mais normal possível. Ela conta que uma pessoa que convive com HIV, seguindo o tratamento corretamente, depois de alguns meses, fica com a carga viral indetectável. A pessoa com carga viral indetectável não transmite o vírus para outra pessoa nem por via sexual, nem durante a gestação. “O avanço do tratamento para HIV me deu a oportunidade de ter a minha família saudável”, diz Emanuelle. 

Uma pessoa vivendo com HIV pode levar uma vida sem restrições significativas (Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo)

O médico infectologista Bruno Ishigami esclareceu pela conta pessoal na rede social Twitter que, atualmente, uma pessoa vivendo com HIV pode levar uma vida sem restrições significativas. Por existir várias maneiras de evitar a infecção, é muito mais tranquilo viver sem o vírus. O SUS oferece preservativos gratuitos e medicamentos, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) para aqueles com maior probabilidade de contato com o vírus e profilaxia pós-exposição (PEP) para aqueles que tiveram contato com o vírus nas últimas 72 horas. 

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