Representatividade bissexual na mídia: por que estereótipos ainda existem?

Karol Costa

O “B” de LGBTQIA+, na maioria das vezes, é o mais esquecido e apagado perante a sociedade. Pessoas bissexuais são vistas como indecisas tanto na própria comunidade, quanto para quem se denomina heterossexual. Esse falso conceito de que bissexualidade nada mais é do que uma confusão é propagado também pela mídia nos diversos produtos, reforçando com maior intensidade o preconceito já existente.

A jornalista Márcia Nascimento relata que a mídia pouco se esforça para mudar esse cenário, já que os estereótipos estão enraizados nas culturas do mundo todo, seguindo presentes, mesmo que inconscientemente, na sociedade. Contudo, em relação aos últimos 20 anos, a jornalista afirma que houve uma evolução em certo ponto, pois, naquela época, a diversificação existente hoje na mídia, não era imaginada.

No terceiro episódio da série Loki, do Disney+, o personagem Loki Laufeyson confirmou ser bissexual (Foto: Karol Costa)

O jornalista e ativista dos direitos LGBTQIA+ Marcos Salesse explica que fomentar debates na mídia sobre bissexualidade é uma maneira de naturalizar a existência desses corpos, fazendo com que as pessoas se sintam livres e à vontade para poder serem quem são.

Eu acredito que a questão da representatividade está mais ligada a trazer essa naturalidade da discussão para que as pessoas consigam encontrar ambientes seguros e saudáveis para expressarem as suas identidades de gênero e sexualidade

Marcos Salesse

A estudante de pedagogia e assumidamente bissexual Laila Elícia afirma ver diversas representações bissexuais nos produtos midiáticos. “Algumas delas eu concordo e outras não totalmente. Certas falas e militâncias não condizem com o que somos e isso gera muita bifobia”, relata. Laila cita, como um bom exemplo, a série americana “Grey’s Anatomy”, que já produziu diversos episódios defendendo a bandeira LGBTQIA+ e a bissexualidade.

A estudante reconhece ainda que essas representações podem afetar a autoestima e a autoconfiança, além de serem usadas por outras pessoas como uma maneira de ofender bissexuais. “Já me senti muito desconfortável. Inclusive pessoas da própria comunidade LGBT me fizeram sentir assim”, declara Laila, reforçando o apagamento que a bissexualidade sofre perante a sociedade em geral e pelo movimento LGBTQIA+.

A bissexualidade da personagem Arlequina foi confirmada no filme Aves de Rapina, lançado em 2020 (Foto: Karol Costa)

A psicóloga Yasmin Araújo esclarece que a representatividade é de grande importância para o indivíduo por possibilitar ao mesmo um sentimento de pertencimento, além de uma maior aceitação da subjetividade e, com isso, melhora da autoestima.

Sentir-se representado garante ao sujeito um lugar de expressão, de escuta e de acolhimento de seus sentimentos, pensamentos e características

Yasmin Araújo

Yasmin relata ainda que existe a possibilidade de que, a falta do sentimento de pertencimento, atrelado ao julgamento que pessoas bi sofrem, possa acarretar em sentimentos de angústia e solidão. Por meio desses sentimentos, a pessoa pode vir a desenvolver algum tipo de ansiedade ou depressão. A psicóloga completa afirmando que cada indivíduo reage de uma maneira diferente, variando, portanto, de pessoa para pessoa.

Edição: Karol Costa

Foto Destaque: Karol Costa

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