Meio ambiente está em colapso

Daiane Obolari

Um relatório do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), órgão consultivo da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentou dados alarmantes sobre o aquecimento global sem precedentes na Terra para os próximos 30 anos. Mesmo que haja a redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, o planeta nunca mais será o mesmo. Avisos são emitidos pelos especialistas e, se a sociedade continuar a negligenciar os fatos, a humanidade poderá ser extinta. O texto publicado na COP 26 informa que o planeta pode se recuperar de uma drástica mudança climática, mas os seres humanos não.

Além do calor extremo, o documento mostra ainda os principais efeitos previstos para as próximas três décadas em razão da ação humana. São elas: colapso de ecossistemas: incêndios florestais e seca; extinção de espécies: animais ameaçadas pelo calor excessivo; aumento do nível e temperatura de oceanos: litoral afetado por enchentes; fome: diminuição da produção de alimentos e aumento do valor comercial; e doenças: aceleramento da proliferação de insetos. A contaminação da água e alimentos por toxinas e doenças relacionadas a má qualidade do ar também são citados.

Meaípe, em Guarapari, sofre com erosão causada pelo aumento do nível do mar (Foto: Daiane Obolari)

O biólogo e professor Walter Có explica que desde 1980 a temperatura média global está em ascensão. Ele afirma ainda que a ONU tenta, agora, é colocar essa previsão em um patamar para redução de danos, pois as consequências não são mais reversíveis. Como comparação, Walter mostra que, em 2018, foram lançadas na atmosfera 37 bilhões de toneladas de CO2 – que não podem ser retirados – o que corresponde ao peso de 64 Pães de Açúcar, morro localizado no Rio de Janeiro.

Além do aquecimento, o biólogo ressalta que a sociedade caminha para a sexta extinção em massa. Ele finaliza enfatizando que o ar que se respira é fabricado por seres que fazem fotossíntese, se eles morrerem, só viverá na Terra quem não respira oxigênio.

O planeta pode se tornar inóspito para todas as espécies. Então, não estamos falando só de calor ou frio, de chuva ou seca, mas sim da capacidade ou não dele sustentar a vida

Walter Có

Dia da Sobrecarga da Terra

Vale destacar também que em 2021, o “Dia de Sobrecarga da Terra”, momento em que todos os recursos naturais produzidos pelo planeta para durar um ano, acabam, aconteceu na data recorde de 29 de julho. Comparando com 1970, a data marcava 29 de dezembro. Isso significa que seria necessária 1,7 Terra para suprir a demanda de produção e consumo global em um ano. A partir de agora são retirados recursos da “poupança” natural do planeta vivenciando um déficit ecológico até 2022.

Sentindo na pele

Em períodos de calor, a proliferação dos mosquitos acontece de forma mais acelerada (Foto: Daiane Obolari)

Um exemplo de efeito que pode atingir a humanidade diretamente é o aumento da transmissão de doenças por insetos devido a maior proliferação em razão da elevação da temperatura. O professor de música da FAMES Cláudio Laeber Thompson, 39, contaminado pelo vírus da Chikungunya, em março de 2020, conta que ainda sofre com sequelas da doença.

Tive muita dor no corpo, nas articulações, febre e falta de apetite. Precisei voltar aos poucos para o pilates, mas ainda tenho dor corporal quando faço muitas atividades

Cláudio Laeber Thompson

A médica infectologista Rubia Miossi aponta que o mosquito Aedes Aegypti transmite pelo menos três doenças infecciosas: Dengue, Zika e Chikungunya. Uma grande densidade de mosquitos existentes aumenta a possibilidade de ter várias pessoas infectadas. Ela ressalta ainda que, isso pode impactar também na economia. No caso da Chikungunya, o indivíduo pode ficar meses com dor corporal incapacitando o trabalho. “Quando você tem um único vetor para três doenças, fica fácil o contágio veloz. O problema é que para controle do vetor, as pessoas precisam modificar os hábitos”, diz a médica.

Ações de prevenção

O IPCC trouxe ainda ações que devem ser adotadas imediatamente para evitar o colapso iminente do clima: preservar e restaurar florestas tanto emersas quanto marinhas; reduzir pela metade o consumo de carne e aumentar o de vegetais, castanhas e frutas; trocar meios de transporte individuais por coletivos ou bicicletas; e reciclagem. Esses são exemplos de atitudes eficazes para tentar amenizar os efeitos que a população global enfrentará.

Imagem de destaque e edição: Daiane Obolari

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