Malefícios da privação de sono

Kamily Rodrigues

É madrugada e ainda há alunos estudando. Vivenciando uma rotina cada vez mais agitada, os universitários sofrem com a privação de sono para realizar todas as atividades no cotidiano. A longo prazo, dormir mal acarreta inúmeras consequências como a queda do sistema imunológico, a queda de produtividade devido a sonolência e a má qualidade de vida.

Estudos apontam que cerca de 40% da população brasileira não possui o hábito de ter um boa noite de sono. Esse cenário acarreta mais de 80 distúrbios ou síndromes do sono listados pela Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (CIDS). Além disso, pesquisas realizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam ainda, que esse costume aumenta as chances de desenvolver doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, depressão e leva o indivíduo a adotar uma dieta ruim, aumentando o risco de obesidade.

A neurologista Ana Maria Bodevan explica que além desses malefícios, pessoas que têm o cotidiano muito corrido sofrem com irritabilidade e dificuldade de concentração. Ela esclarece ainda que noites maldormidas em sequência podem alterar funções do organismo e fazer com que o estudante seja acometido por insônia. Por isso, a médica destaca a importância de realizar o tratamento adequado.

Estudante fazendo trabalho da faculdade durante a madrugada (Foto: Freepik)

Dona de uma rotina muito cansativa dividida entre faculdade e estágio, a estudante de letras Lorena Gomes, 19 anos, está entre os jovens acometidos pela privação de sono. A aluna relata que durante o ensino médio percebeu o quanto as noites acordada a estavam deixando sem foco. “Eu não conseguia prestar atenção nas aulas. No ônibus, eu costuma cochilar por poucos minutos. Não fazia atividades em casa, pois me sentia esgotada e isso me deixou triste por muito tempo”, expôs.

Hoje, na universidade, Lorena ressalta que mesmo tentando evitar ficar sem dormir à noite, o dia a dia a força a fazer isso em datas próximas a entrega de trabalhos acadêmicos.

Tem dias que parece que ou eu durmo ou eu não vou conseguir entregar as atividades que preciso na faculdade

Lorena Gomes

Essa também é a realidade da estudante de jornalismo Daiane Obolari, 20 anos. A jovem relata ter sido acometida por tremores, ganho de peso e agravamento do problema de circulação pré-existente devido a rotina cansativa. A rotina sem pausa para descanso afetou ainda a saúde emocional. “Eu comecei a duvidar de mim mesma e duvidar de estar no caminho certo“, destacou.

Perda de memória e falta de concentração foram outros sintomas vivenciados pela universitária.

Eu tinha muita dificuldade de lembrar do que tinha acabado de acontecer. Afetou muito a minha concentração também. Tinha dias que eu ficava dispersa nas aulas

Daiane Obolari

Evasão escolar

A falta de tempo para o descanso é motivo de evasão escolar (Foto: Freepik)

A falta de tempo para descansar está entre as principais causas da evasão escolar. Esse cenário costuma ocorrer quando o universitário percebe que não está dando conta das atividades, tendendo a se sentir frustrado. A pedagoga Elisangela Coutinho afirma que isso ocorre também devido a autocobrança por produtividade.

Apatia durante as aulas também é caso recorrente. A pedagoga esclarece que uma maneira de tentar amenizar essas consequências é utilizar a técnica de “Pomodoro”: metodologia na qual a cada 25 minutos estudados, realiza-se uma pausa de 5 minutos sem uso de aparelhos eletrônicos no momento de estudo. Ela destaca ainda a importância de que os estudantes imponham limites para realizar as tarefas de modo que não haja exigência excessiva.

Edição: Kamily Rodrigues

Foto destaque: Freepik

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