Espaços Feministas: a representação da mulher na mídia e na sociedade

Caciane Sousa

Alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da FAESA Centro Universitário tiveram a oportunidade de participar da mesa-redonda “Espaços Feministas: a representação da mulher na mídia e na sociedade” no auditório da Instituição. Mediada pela professora Emília Manente, o evento contou com a participação do professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade Felipe Dall’Orto, da jornalista Jaciele Moura, da publicitária Anelise Passos e da professora do curso de psicologia da FAESA Mônica Nogueira.

O professor Felipe Dall’Orto abriu o evento e destacou a importância do debate e de como é necessário mudar a realidade da violência em relação à mulher na sociedade. “Precisamos descontruir esses lugares comuns”, pontuou.  Já a professora Emília Manente afirmou que discutir feminismo na universidade é um privilégio, mas o desafio é como fazer o tema chegar até as comunidades.

A professora Emília Manente mediou as reflexões durante a mesa-redonda “Espaços Femininos” (Foto: Caciane Sousa)

A aluna egressa do curso de Jornalismo da FAESA e atual repórter do jornal A Tribuna Jaciele Moura explicou sobre a forma como a mulher é retratada nos noticiários, evidenciando que o feminicídio, na maioria das vezes, não é claramente explicitado pelo fato do olhar masculino predominar na hierarquia das redações e órgãos que atendem as vítimas.  

Geralmente, a mulher é uma fonte vítima de violência doméstica. Raramente ela aparece como fonte especializada, pois o jornal é feito por homens e o sensacionalismo vende

Jaciele Moura

Jaciele relatou ainda que a imprensa é o “quarto poder”, pois o que é veiculado na mídia repercute nas mesas de bar e nas famílias e, por isso, deve existir uma maior responsabilidade na veiculação dos conteúdos. “É necessário humanizar a vítima de feminicídio. Se deixarmos a mulher falar, poderemos levar essa discussão adiante. O Jornalismo continua sendo predominantemente masculino. Apesar de ter muitas mulheres nas redações, quem define a pauta e como será abordado o assunto são os homens”, afirma Jaciele. 

Em seguida, a publicitária Anelise Passos, egressa do curso de Publicidade e Propaganda da FAESA descreveu sua trajetória como uma mulher negra, lésbica e de origem humilde. Participando online por meio do Microsoft Teams, diretamente de Cape Town, na África do Sul, Anelise comentou que chegar na faculdade foi fundamental para mostrar as inúmeras possibilidades de relacionamento e negócio. Para ela, os professores foram fundamentais no processo de aprendizagem, pois a ajudaram a olhar para si e a descobrir que poderia atuar em várias frentes de negócio. 

A publicitária Anelise Passos participou ao vivo, de forma virtual, diretamente de Cape Town, na África do Sul

Outra convidada para a palestra foi a professora de psicologia Mônica Nogueira. A docente provocou uma reflexão sobre a origem dessa violência contra a mulher e como elas são representadas pela sociedade. Além disso, exemplificou a representatividade que durante anos criou uma geração com referências no estereótipo da mulher loira, feminina e submissa, algo que pelo olhar da psicologia traz um custo social ao formar uma geração de meninas sem autoestima e sem representatividade para suas origens. “Algumas propagandas já não usam tanto a exposição do corpo feminino. A democratização e abertura da mídia, por meio da internet, contribuem para essa mudança, mas é preciso ir além“, conclui Mônica. 

Da esquerda para a direita: Mônica Nogueira, Emília Manente, Jaciele Moura e Felipe Dall’Orto (Foto: Caciane Sousa)

Edição: Eric Zanotelli

Imagem do destaque: Núcleo de Publicidade do Lacos

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