Covid-19: efeitos do isolamento social na sociedade

Caciane Sousa

Em dezembro de 2019, vários casos de pneumonia foram relatados na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Era o alerta de que algo não ia bem. No final desse mesmo ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi informada sobre os casos da pneumonia de origem desconhecida. A suspeita era de ser transmitida por animas, pois os casos confirmados eram de trabalhadores do mercado atacadista de frutos do mar da região, que também vendiam animais vivos. Em janeiro de 2020, foi identificado e nomeado o vírus como causa dessa pneumonia, temporariamente nomeado de “2019 n Cov”.

No dia 9 de janeiro de 2020, ocorreu a primeira morte e autoridades sanitárias da China informaram que o vírus era transmissível entre humanos. No mesmo mês, o mundo recebia alertas da OMS sobre o risco de um surto mais amplo e casos fora da Ásia foram registrados na América do Norte e Europa.

BRASIL
A fisioterapeuta Danúbia Pagotto e o filho Benício Pagotto que nasceu durante a pandemia. Uma história de superação da ansiedade e da depressão (Foto: Arquivo Pessoal)

A chegada do novo vírus ao país foi em março de 2020, com 21 mil casos confirmados rapidamente e ações preventivas do Governo e órgãos de saúde com o desejo de desacelerar novas contaminações. Palavras como “lock down”, mapa de risco e home office tornaram-se comuns na rotina da população, juntamente com o uso de máscaras, álcool em gel e luvas.

Uma vez isolada, a população acompanhava pelos veículos de comunicação o desenrolar dos fatos e a verdadeira guerra travada por profissionais de saúde no combate ao vírus até então desconhecido.

Dados divulgados pela OMS, no primeiro ano de isolamento, confirmaram a prevalência global de aumento em 25% de depressão e ansiedade na população. O mesmo estudo demonstra que a incidência maior foi entre jovens e mulheres. O medo da infecção, solidão, morte de entes queridos e preocupações financeiras foram alguns fatores que contribuíram para aumento e agravamento dos casos.

A fisioterapeuta Danúbia Pagotto de Souza, que já sofria de transtorno de ansiedade antes da pandemia, conta que com o isolamento o quadro se agravou.

Eu trabalhei até os seis meses de gestação. No sexto mês fui diagnosticada com COVID e tive que passar pelo sofrimento da perda de meu pai que não conseguiu UTI para atendimento devido superlotação com os casos de Coronavírus. Fiquei em casa o restinho da gravidez. Eu tive alguns sintomas de ansiedade e depressão. Tive insônia, não queria ver ninguém, irritabilidade, crises de choro, angústia, medo de perder mais alguém da minha família, de morrer… Foi um momento horrível, mas me apeguei à oração e à família. Passei a fazer as atividades que gosto e que me fazem bem. Me dediquei ao enxoval de meu filho nos três meses finais. Eu não aceitava ficar doente, pois isso poderia prejudicar o desenvolvimento da criança e também queria dar apoio e cuidar da minha mãe

Danúbia Pagotto de Souza

Recentemente, em um estudo divulgado pela Universidade de Harvard, o psicólogo Robert Waldinger afirma que os relacionamentos interpessoais fazem bem à saúde. Segundo Robert, a solidão é um fonte de estresse e, nesse estado, o corpo entra em alerta para uma resposta de luta ou fuga. Quando se está com medo, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, fazendo com que o corpo se prepare para enfrentar um desafio. Desse modo, o organismo permanece com níveis altos de hormônios e inflamação crônica, contribuindo para a deterioração do corpo e da saúde.

Robert Waldinger, líder do Harvard Study of Adult Development (Estudo de Harvard sobre Desenvolvimento de Adultos), afirma que a construção de relações interpessoais fazem bem à saúde (Foto/Divulgação: Portal do Envelhecimento)

Quando questionado sobre como se cuidar e prevenir esses sintomas, Robert afirma que não há fórmula mágica, mas um ponto importante nesse processo é a construção de relações interpessoais e alguns “atalhos” para se sentir melhor.

O cuidado com a alimentação, a prática de atividades físicas e manter a conexão com outras pessoas são atitudes que colaboram muito para a sensação de bem-estar

Robert Waldinger

Edição: Karol Costa

Imagem Destaque: Paho.org

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