Impactos da moda no meio ambiente

Kamily Rodrigues

A indústria da moda é uma das mais poluentes no mundo e responsável por 8% a 10% das emissões de CO2. Estudos apontam que para a produção de uma calça jeans são utilizados 3.781 litros de água, o que equivale a 33,4 kg de carbono. Além disso, o consumismo é muito presente pelos usuários da indústria têxtil. Cerca de US$ 500 bilhões ao ano se perdem em descarte de roupas que vão para aterros e lixões.

A poluição causada, então, pela indústria têxtil atinge o solo, o ar e a água. Caso não haja redução desses índices, os resíduos devem aumentar de 1,3 bilhão para 2,3 bilhões de toneladas até 2025. A professora do curso técnico de produção de moda do CEET Vasco Coutinho Célia Muniz esclarece que existe uma série de impactos ambientais devido a esse cenário. Ela explica que o solo está muito contaminado devido aos descartes químicos excessivos da indústria têxtil. Esses fatores desencadeiam a contaminação dos lençóis freáticos e, como consequência, contaminam a água. A professora ressalta ainda a contaminação causada aos oceanos pelas fibras sintéticas e a contaminação por meio dos pesticidas que podem desencadear alergias nas pessoas.

Professora Célia Muniz (Foto: Kamily Rodrigues)

Como maneira de amenizar esses problemas, as roupas biodegradáveis têm ganhado bastante espaço em grandes empresas nos últimos tempos. O intuito é que a roupa se decomponha rapidamente em aterros sanitários. Em contrapartida, outra possível solução que vem cativando os usuários são os brechós.

Célia aponta que os brechós e as roupas biodegradáveis são possíveis soluções para que seja possível frear a produção e o consumo. Outra medida interessante citada pela professora é transformar as peças existentes, trocando o fast fashion, padrão de produção em que os produtos são fabricados, consumidos e descartados, pelo slow fashion, conceito que defende a fabricação em relação as pessoas e ao meio ambiente.

A professora expõe ainda que para essas medidas serem efetivas é necessário haver boa qualidade das peças. “Temos que comprar menos e comprar peças de qualidade porque isso vai girar por muito mais tempo”, destaca Célia.

Mellania Possatti é proprietário de um bazar online: “Bazar da Mel” (Foto: Kamily Rodrigues)

A proprietária do bazar online “Bazar da Mel”, Mellania Possatti, relata que a principal motivação para iniciar a revenda das roupas foi a existência de peças novas e seminovas que não eram utilizadas. Por meio da conta no Instagram, ela vende as próprias roupas e as das amigas. Ao falar da adesão por parte dos seguidores, Mellania conta que na primeira semana havia vendido praticamente todas as peças. Mellania afirma ainda se sentir bem ao saber que reutilizando as peças, ela e os clientes contribuem para a redução da poluição. 

A estudante Paola Leal participa do projeto “Vix Invisível” (Foto: Kamily Rodrigues)

A doação de roupas é outra medida que pode ser efetiva para que a indústria da moda não polua exacerbadamente o meio ambiente. A redução dos danos é possível por meio da doação de roupas, seja para pessoas no núcleo familiar, orfanatos, igrejas ou para ONGs.

A estudante do curso de Educação Física Paola Leal, 21 anos, conta que desde a infância sempre teve como hábito doar roupas a cada vez que adquiria peças novas. Para ela, é um dever social dar rotatividade às peças de roupas contribuindo com o meio ambiente e ajudando pessoas necessitadas. A jovem participa do projeto social “Vix Invisível“, que auxilia pessoas em vulnerabilidade social com a distribuição de roupas e kits de higiene. 

Imagem do Destaque: stock

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