O cabelo é a moldura do rosto e da alma

Janine Indami

O Brasil poderá ter 625 mil novos casos de câncer entre os anos de 2020 e 2022. Essa estimativa foi divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e aponta que o câncer de pele não melanoma será de maior incidência com 177 mil casos. A pesquisa revela também outros dados: 66 mil casos de câncer de mama e, ainda, 66 mil de próstata; 41 mil de câncer de colón e reto; 30 mil de pulmão; e 21 mil de estômago.

A diarista Marinete de Carmo Araújo, 54 anos, falou da própria experiência com o tratamento de câncer. Marinete conta que 14 dias após a primeira sessão de quimioterapia, os cabelos começaram a cair e, por isso, recorreu o uso da peruca.

Não tinha nenhuma condição de sair na rua, de postar fotos, de conviver no meio das pessoas e olhar no espelho, sabendo que não tinha o meu cabelo

Marinete de Carmo Araújo

A diarista relatou ainda sobre a sensação de poder usar uma peruca, criando, assim, um novo sentimento. “A sensação é como se fosse uma nova vida. É autoestima de zero a dez porque a pessoa ao se olhar no espelho, de repente, da noite para o dia, se depara sem cabelo. Não é fácil”, desabafa Marinete.

A diarista afirma que, quando colocou a peruca, se sentiu outra pessoa. Quem passa por esse tipo de situação sabe como é importante e o quanto melhora a autoestima.  “Quando se perde cabelo, se perde o chão. Optei por uma peruca para evitar especulações. Terminei o tratamento e faço acompanhamento uma vez ao ano. Usei por necessidade e, hoje, uso, pois me apaixonei. Não fico sem”, disse.

A cabeleireira Mariana Lima de Paula (Foto: Arquivo Pessoal)

A cabelereira e especialista em mega hair Mariana Lima de Paula, 39 anos, relata sobre a emoção de poder contribuir na autoestima das mulheres que procuram a estética para poderem retornar com a vaidade.

As clientes descobrem que, com a quimioterapia, elas entram em desespero, pois vão perder os cabelos. No período inicial do tratamento indica-se o uso da peruca, pois acaba sendo o melhor método para evitar de puxar os fios de cabelos. Mariana ainda conta a emoção que sente em poder contribuir na reconstrução da imagem e da autoestima das pessoas que usam mega hair.

São vivências diferentes que acabam encontrando um momento único que é o dessa transformação do cabelo e da autoestima. São transformação que a gente proporciona, mas, acima de tudo, são histórias de vidas que conhecemos

Mariana Lima de Paula

A psicóloga clínica e professora do curso de direito da FAESA Centro Universitário Fernanda Helena de Freitas Miranda explica que lidar com pessoas que têm doenças que podem ser consideradas graves não traz, em geral, apenas a questão da enfermidade. Fernanda ressalta que durante um longo período, o câncer foi uma doença que não se falava nem mesmo o nome. Houve um momento histórico em que havia muito preconceito, desconhecimento e medo. “O câncer era considerado quase uma sentença de morte”.

Ao ser perguntado sobre a dificuldade encontrada em lidar com pacientes com câncer, a psicólogo Fernanda afirma que o mais perceptível no discurso é o medo. Uma preocupação grande com a morte e como ficaria os filhos, o marido e a família. Um sentimento muitas vezes de dúvidas e com o questionamento: Por que comigo? 

A professora lembra ainda que existe muitas questões envolvidas nesta relação da pessoa com câncer e da sociedade. “A sociedade tem um olhar julgador e preconceituoso sobre as pessoas que tem câncer. Isso afeta a saúde a imagem do paciente”, declara Fernanda.

Edição: Janine Indami

Imagem do destaque: Núcleo de Jornalismo do Lacos/ Loren Peterli

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