Rádio como influenciador de gerações

Loren Peterli

O rádio completou 100 anos, juntamente com o Bicentenário da Independência, no Brasil. No dia 7 de setembro de 1922 aconteceu a primeira transmissão de rádio, via “as ondas” da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da República do Brasil. Nesse momento começou a rica história do meio de comunicação que conquistou, ao longo dos anos, o povo brasileiro com muita informação e muito entretenimento.

A Jornalista Ivana Sonegheti de Mingo (Foto: Arquivo Pessoal)

A ex-aluna de Jornalismo da FAESA Centro Universitário e mestra em Comunicação e Territorialidades pela Ufes Ivana Sonegheti de Mingo venceu o Intercom UFPB 2022 com o trabalho: “As emissoras estatais de rádio e a radiodifusão de serviço público – Estudo de caso sobre as emissoras rádio vinculadas ao poder executivo no Brasil”.

É por meio dessa dissertação do mestrado que Ivana explica como o rádio impactou e, ainda, impacta a sociedade brasileira. Para a jornalista, mesmo depois de todo esse tempo do surgimento da rádio, as expectativas e os avanços ainda não são similares comparado aos demais países. A evolução das políticas públicas do rádio vem de acordo com o processo histórico que a sociedade está passando, o que justamente ocorreu, com o Brasil, no início desse desenvolvimento social, o rádio era tratado dentro da legislação como ilegal e marginal.

O uso era restrito em âmbito político e econômico, ou seja, só com concessão privada ou estatal que seria possível a utilização dele sem censura, até para a rede educativa, considerada a principal do momento. Então, o progresso no sistema de comunicação da rádio no Brasil era diferente dos outros países, como Estados Unidos e Inglaterra, justamente por não terem essa restrição.

A jornalista afirma também que a população brasileira evoluiu como sociedade. Dentro desse desenvolvimento começa o debate sobre a comunicação eletrônica, em que essa manifestação é vista na Constituição de 1988 no artigo 223, incluindo o sistema público, privado e estatal dentro do espectro de rádio difusão.

A partir disso, necessita-se de uma participação maior da comunidade, colaborando para uma comunicação mais democrática. As discussões do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) em 2007, a Medida Provisória n° 747, de 2016 para renovação de concessão e permissão dos serviços de radiodifusão e a lei 11.652 de 2008 que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) fazem parte do avanço na tentativa de melhorar a visibilidade do rádio.

Diferente de outros países, o Brasil não avançou no rádio digital (Foto: Unsplash)

Em questão de tecnologia, o Brasil está muito longe de como é feito o rádio digital com a possibilidade de recorte para distribuição de novas mídias, compartilhamento de informações e facilidade de escuta. Em outros países, o processo de digitalização do sistema de informação já foi feito, mas a rádio brasileira ainda depende da discussão interna de rádios AM e FM para avançar.

Rádio em relação a outros meios de comunicação

Atualmente, apesar da internet e redes sociais estarem no seu auge, a rádio é tido como o meio de comunicação mais confiável e de maior uso pelos ouvintes segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Nesse tempo, o rádio resistiu e se adaptou à chegada das novas tecnologias se mantendo sempre presente na vida dos brasileiros.

Grande parte dessas pessoas são do interior do país, já que a evolução tecnológica não chegou em todos os lugares. O rádio é muito valorizado nessa área e é usado para comunicação entre duas pessoas transmitindo uma mensagem de forma mais rápida e muitas vezes com agilidade maior do que o próprio celular no local.

(Imagem: Pinterest/Xander Young)

A utilização frequentemente tem aumentado devido a pandemia e o distanciamento social, pois foi uma forma de restaurar a conexão entre as pessoas. Por ser um mecanismo de transmissão ao vivo, o público prefere já que se torna quase um diálogo entre o locutor e o ouvinte.

A evolução da mídia sonora para acesso à informação continua sendo tão importante hoje quanto era na década de 30, já que o áudio é um meio em que as pessoas usam no dia a dia de modo muito mais rápido e fácil do que um texto no jornal impresso ou o conteúdo da televisão.

Rádio X Fake News

Ivana Sonegheti relata, também, como a rádio difusão pública emprega a democracia deliberativa participativa. Para ela se a sociedade evolui dentro de uma legislação que busca a participação da sociedade da comunicação, o resultado será uma comunidade mais democrática. Portanto, quanto maior o acesso à informação mais chances de ocorrer a democracia, mas, para isso, também, é necessário um posicionamento mais participativo dos ouvintes.

A desinformação demonstra que existe dentro da comunicação a possibilidade de levar informações que não apoiam a democracia

É da cultura do jornalismo tentar buscar a melhor versão da informação

Ivana Sonegheti de Mingo

Quando a pessoa usa da má intenção ao passar essas informações, é da função deles tentar desmentir. A rádio tem o objetivo de desfazer o uso prejudicial de pessoas que se dizem comunicadores ou jornalistas proliferando as famosas fakes. Desmistificando o termo “Fake News”, se uma informação é falsa não é possível que ela seja uma notícia, já que essa provém de um fato, algo verdadeiro.

A professora de Jornalismo da FAESA Centro Universitário Maria Emilia Pelisson afirma que “se é fake, não é News”. Portanto, seria o aspecto ideal se a difusão pública tivesse esse caráter na democracia, só que nem sempre isso acontece até por uma questão antiética da própria organização interna da emissora.

É essencial, então, apoiar a evolução democrática nas relações sociais e combater dentro dessa proposta as informações falsas, até em quesitos de governança por possuir um poder enorme de influenciar as pessoas. Para Ivana é tempo dos radialistas assumirem as rédeas da situação e tomar posse do cargo de verdadeiros influenciadores conscientes de informação.

Aliás, é válido lembrar que os Homônimos perfeitos são mais comuns do que se imagina. Nada de elemento químico nem de um osso do corpo humano. O rádio mais comentado, atualmente, é o aparelho de comunicação à distância que recebe e propaga sinais radiofônicos a partir de uma emissora muito utilizado pela imprensa.

Mas o que são ‘Homônimos perfeitos’ ? É quando as palavras possuem a escrita e a pronúncia igual, mas com significados diferentes

Edição: Loren Peterli
Imagem Destaque: Núcleo de Jornalismo do Lacos/Loren Peterli

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