Invisibilidade social: projeto voluntário leva afeto e alimentos para moradores em situação de rua

Pedro Ramos e Paulo Victor Barcellos

A invisibilidade social é um dos diversos problemas enfrentados pelos moradores em situação de rua. Com o passar dos anos, os espaços urbanos começaram a ser ocupados pelas pessoas. Na Grande Vitória, no início de 2022, a população de rua somava 2.053 pessoas. Esse número são daquelas que são atendidas por programas sociais, podendo aumentar esse cenário.  

A desigualdade social, desemprego, pandemia, foram alguns dos principais fatores que ocasionaram esse destino às pessoas. Em Vitória são 350 pessoas; Cariacica 237; Vila Velha 282 e Serra 931. Esses números vão variando de acordo com o tempo, mas o estigma que a sociedade carrega sobre eles não passa.

Foto: Fabiano Fiuzza

Pensando em ajudar o próximo, um grupo se juntou e com uma kombi resolveu percorrer as ruas de Vitória durante a noite. O projeto da Kombi Fraterna é formado por pessoas que participam de uma casa espírita, um dos ideais é trabalhar a caridade. 

A ideia do projeto começou com um dos integrantes, ele levou essa ideia para os colegas e todos toparam na mesma hora. As doações começaram com distribuição de água e chocolate quente em 2013. Aos poucos o projeto foi crescendo e ganhando mais integrantes e força de vontade de fazer o bem. O que surgiu com 15 pessoas se tornou em uma rede de apoio com em uma rede social com 225 participantes.

Foto: Fabiano Fiuzza

A psicóloga e voluntária do projeto, Jaqueline Maia, explica que o grupo nunca enfrentou problemas durante as ações e que fazer o bem, sem vínculos, é o que move a vida dela.

“Chamamos as pessoas para elas perderem esse medo e estigma das pessoas em situação de rua. Acreditamos que estamos fazendo o bem, em 9 anos de projeto nunca enfrentamos nenhuma situação delicada.”

Jaqueline Maia

Durante as ações noturnas, em média, 250 pessoas são atendidas. Independente do clima, a sexta-feira é destinada para a solidariedade. Hoje, com o grupo maior, as doações também se expandiram. As entregas contam com lanches, produtos de higiene pessoal, cobertores, roupas, comidas e, além disso, alimentos para os cachorros.

“Não acredito que podemos mudar o mundo, mas o grupo acredita que podemos mudar o mundo de uma única pessoa e melhorar a vida de alguém, isso já basta.”

Jaqueline Maia, voluntária do projeto.
Foto: Fabiano Fiuzza

O projeto se transformou em uma porta de entrada para outros projetos sociais. Os materiais arrecadados por eles e que não entram dentro do que é necessário, acabam com o destino desviado para outro projeto social, gerando uma rede de solidariedade. 

Rodeados de afeto, os olhares preconceituosos e discriminatórios não deixam de existir. De acordo com o grupo, o motivo de eles escolherem atender esse público é muito questionado pela sociedade.

“Não culpamos as pessoas que têm medo, mas isso precisa ser quebrado. Eles possuem uma história, uma filosofia de vida, sentimentos, são seres humanos.”

Explicam os voluntários

Durante o auge da pandemia, foi o momento mais desafiador para o grupo. Além de não ter contato físico, a demanda aumentou. Devido ao desemprego, a desigualdade social, mas as pessoas ficaram dependentes de ajuda. O que em média eram 500 lanches, dois para cada morador em situação de rua atendido pelo grupo, passou para 900

“As pessoas nos procuravam e nem sempre eram os moradores em situação de rua. Já recebemos casos de pessoas que tinham onde morar, mas não tinham o que comer. Atendemos todos, quem estiver precisando no momento das nossas ações, dentro do possível, atendemos.”

Discorrem os integrantes do projeto social
Foto: Fabiano Fiuzza

Pensando no amanhã

O projeto vive de doações, com isso, o planejamento é essencial. Antes, expor as ações eram um empecilho para o grupo, mas hoje eles observam que a rede social é o principal portal para arrecadação. O calendário é feito sem expor as pessoas, apenas focado em transmitir as mensagens para as pessoas doarem. 

“Nosso desejo é crescer a ponto de ajudar mais pessoas do que a nossa capacidade de hoje. Quem sabe até não ter quem atender, que as pessoas em situação de rua tenham a própria casa e vida digna. Fácil não vai ser, mas existe a possibilidade. Enquanto isso, plantamos o amor.”

Jaqueline Maia, voluntária do projeto.
Foto: Fabiano Fiuzza

Edição: Karol Costa
Foto do Destaque: Fabiano Fiuzza

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